terça-feira, 15 de abril de 2014

Editorial: Produtividade X Horas trabalhadas: Como manter o equilíbrio? - Parte 01

O mercado de trabalho atual gira em torno de uma rotina que exige alta produtividade, o que ocasiona uma maior dedicação às demandas corporativas. Essa rotina empresarial afeta diretamente não só aos Executivos, mas todos os colaboradores da empresa, do núcleo estratégico ao operacional e, principalmente, afeta nossa rotina de Secretários Executivos.
Tendo em vista essa observação, o Blog irá publicar, a partir de hoje, em partes, uma pesquisa que nos alertam para essa realidade em nosso local de trabalho e com isso poderemos identificar e lidar com as situações decorrentes dessa realidade. Essa pesquisa foi publicada por Márcia Kedouk, para revista VOCÊ S/A, ed. Abril/2014:

"Em algum momento da vida corporativa, a ideia de que trabalhar muitas horas significa produzir na mesma medida virou uma verdade inquestionável. A justificativa é boa: vivemos na era da urgência, do fazer mais com menos, e aprendemos que chegar tarde em casa e passar os fins de semana ligados à empresa, mesmo que apenas mentalmente, é o preço que se paga por uma carreira bem-sucedida.
Mito. As últimas pesquisas científicas mostram que o cérebro precisa de descanso para ser mais eficiente. E a experiência comprova que dá para trabalhar menos e chegar a resultados melhores. 'A produtividade sempre foi uma questão importante no ambiente de trabalho', afirma em entrevista a VOCÊ S/A a cientista americana Jennifer Deal, pesquisadora da área de liderança corporativa e conflito de gerações da Universidade do Sul da Califórnia e da consultoria Center for Creative Leadership, nos Estados Unidos.

'A diferença é que, ultimamente, a perda de tempo virou uma questão endêmica nas organizações. Gastam-se horas em reuniões, distrações e processos mal definidos', diz Jennifer, que, para mudar esse quadro, sugere que as pessoas repensem as próprias atitudes e descubram como podem contribuir para uma jornada mais eficiente, que no fim do mês pode, sim, significar trabalhar menos. São elas:

1. Treine o Foco

Quando um engenheiro cético e racional cria um programa corporativo voltado para o autoconhecimento, vira guru na multinacional em que trabalha e cativa personalidades como Dalai Lama, Barack Obama, Jimmy Carter e Al Gore, é porque ali existe algo diferente.
O engenheiro é Chade-Meng Tan, do Google nos Estados Unidos, e a façanha dele foi trazer para o cotidiano da empresa, em 2007, uma prática que para muitos parecia estar reservada aos iniciados: meditar. O programa de ChadeMeng fez tanto sucesso que virou livro em 2012, lançado em fevereiro deste ano no Brasil com o título Busque Dentro de Você (Editora Novas Ideias).
Passamos os últimos anos ouvindo que ser multitarefa era uma das qualidades mais desejadas em um profissional eficaz, até que a ciência desafinou esse discurso. Pesquisas mostram que fazer mais de uma atividade por vez pode diminuir a capacidade cerebral em até 40%.E que manter a concentração aumenta a qualidade do que é produzido e reduz a quantidade de horas necessárias para a conclusão de cada projeto. Parece simples de resolver, mas monopolizar a atenção em tempos de conexão máxima é um desafio. O que Chade-Meng propõe são pequenos intervalos com exercícios simples de meditação, que podem ser feitos até mesmo na mesa do escritório. Com a prática, o foco vira um hábito.
'Meditar aciona o córtex pré-frontal, região cerebral que processa a força de vontade. Quanto mais estímulos nessa área, mais capacidade produtiva você vai ter', diz Chade-Meng. 'O cérebro trabalha em ciclos de 90 minutos e requer intervalos de 10 minutos.' Essas paradas não podem ser preenchidas com outras tarefas ou com um passeio pelas redes sociais. Para funcionar, é preciso mudar o foco de atenção. É possível conseguir um efeito semelhante ao da meditação olhando a paisagem da janela do escritório.'Sem descanso, os neurônios são privados da quantidade ideal de oxigênio, o metabolismo desacelera e a produtividade cai', afirma o psiquiatra e consultor organizacional Frederico Porto, de Belo Horizonte. É por isso que quem passa muitas horas no trabalho tende a compensar a falta de descanso com açúcares e outros carboidratos e tomando café para ter mais energia. Essa é uma saída de curto prazo.Os efeitos desses alimentos no organismo são como os das drogas: primeiro eles jogam você lá em cima, depois entram em queda, fazendo subir sua vontade pelo próximo lanchinho. Resultado: nova lentidão no sistema e nova interrupção para turbinar o cérebro mais uma vez."

Continua na próxima atualização.

A Autora


Fonte: Márcia Kedouk, para revista VOCÊ S/A, ed. Abril/2014. 
http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/190/noticias/trabalhe-menos-e-produza-mais?page=1   Acesso em 15/04/2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário